O pós-travessia

Concluída a “Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul”, no Brasil, realizaram-se grandes manifestações e recepções populares, foi então preparado o regresso a Portugal.

Entretanto, tinha sido feito um pedido oficial ao governo português, para continuar a viagem de circum-navegação, mas este não foi autorizado, mas recebida a ordem de regresso imediato.
Foi traçado o plano de viagem de regresso e na Ilha da Madeira, a 21 de outubro, embarcam no navio “Porto” rumo a Lisboa onde foram recebidos com grandes honras.

Sacadura Cabral, após o voo ao Brasil com Gago Coutinho em 1922, planeou uma volta ao Mundo em avião, com partida e chegada a Lisboa, em sentido inverso à da viagem de Fernão de Magalhães, porque ninguém tinha ainda atravessado o Oceano Pacífico.

Para o efeito, foram adquiridos na Holanda 5 hidroaviões Fokker T III para a Aviação Naval.

Este aparelho, o primeiro a chegar a Portugal pilotado desde a Holanda por Sacadura Cabral, tinha um depósito de 1820 litros que oferecia mais autonomia em contraste com a versão com motor Rolls-Royce com um depósito para 1200 litros. Cabral pretendia usar o aparelho com mais autonomia para as últimas etapas do percurso.

Foi num desses aparelhos Fokker #4146 , que no dia 15 de novembro de 1924 num voo de Amesterdão para Lisboa, Sacadura Cabral e o cabo mecânico Pinto Correia, desapareceram no Mar do Norte por causas ainda hoje desconhecidas.
A primeira ligação aérea entre Portugal e Macau, teve início em Vila Nova de Milfontes em 7 de Abril de 1924 num avião Breguet 16 Bn-2, batizado de “Pátria 1”, com motor Renault de 300 Hp, realizada por Sarmento Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia.
Devido a más condições atmosféricas, o avião sofreu danos irreparáveis no deserto de Thur, na India, tendo sido substituído por um avião De Havilland Liberty, DH9 de 400 Hp comprado na India e batizado de “Pátria II”, completando assim a viagem até Macau.
A 27 de Março de1925, iniciou-se o Raide Lisboa – Guiné (Bolama) com Pinheiro Correia (piloto), Manuel António (mecânico) e Sérgio da Silva no Breguet XIV batizado de “Santa Filomena”, equipado com um motor Renault de 300Hp, aterrando em Bolama a 2 de Abril.
No dia 2 de Março de 1927, iniciou-se em Alverca, no Rio Tejo, mais uma grande jornada transatlântica, inicialmente prevista com a finalidade realizar a viagem de circum-navegação, idealizada por Sacadura Cabral.
Sarmento Beires como comandante, Duvalle Portugal como 2º piloto, Jorge de Castilho como navegador, e o alferes Manuel Gouveia como mecânico, descolaram num hidroavião Dornier-Wal, batizado com o nome de “Argos”, equipado com um bimotor de 450 Hp, rumo ao Brasil, utilizando apenas os meios de navegação astronómica com um sextante modificado por Jorge de Castilho, onde aplicou um inovador sistema de iluminação.
Devido a diversos problemas com o avião, só em 16 de Março de 1927, teve início o grande feito histórico da “Primeira Travessia Aérea Noturna do Atlântico Sul”, ligando Bubaque na Guiné, amarando na Baía de Santo António na Ilha de Fernando Noronha no Brasil, no dia seguinte 17 de Março de 1927, percorrendo 2595 quilómetros em 18 horas e 11 minutos a uma velocidade de 103 km/hora.
O regresso imediato foi sugerido pelo Governo Português via Cabo Verde e Madeira. Devido às más condições meteorológicas, Sarmento Beires foi aconselhado por Gago Coutinho a regressar via América do Norte, Terra Nova e Açores.
A viagem de regresso iniciou-se no dia 1 de Junho descolando de Belém do Pará, rumo às Guianas, dobrando o Cabo Norte. Devido a diversos incidentes, entre os quais o rombo de uma asa provocado por uma tampa de inspecção que saltou em pleno voo e a fractura de um dos flutuadores do “Argos”, provocou o naufrágio e a perda da aeronave. A tripulação foi recolhida por uma canoa de pescadores.
No dia 27 de Junho, Sarmento Beires, Jorge Castilho e Manuel Gouveia, chegaram a Lisboa a bordo do navio “Hildbrand”.
No dia 28 de abril de 1927, João Ribeiro de Barros, aviador brasileiro, acompanhado de Arthur Cunha (na primeira fase da travessia) e depois João Negrão (copilotos), Newton Braga (navegador), e Vasco Cinquini (mecânico), tentaram realizar a travessia aérea do Atlântico Sul no hidroavião Savoia-Marchetti S.55 “Jahú”,
A viagem teria início em Gênova (Itália) até Santo Amaro (São Paulo), fazendo escalas em Espanha, Gibraltar, Cabo Verde, mas no dia 14 de maio de 1927, a 300 quilómetros do território brasileiro, uma avaria inesperada interrompe o voo.
Do dia 20 a 21 de Maio de 1927, Charles Lindbergh, realizou a solo, a primeira “travessia aérea do Atlântico Norte”, ligando Roosevelt Airfield, Garden City, Long Island, em Nova Iorque nos E.U.A., ao aeroporto de Le Bourget em Paris, França.